sábado, 18 de fevereiro de 2017

High Hopes

Aproveito esse momento sozinha em casa num sábado a noite, ouvindo o álbum do pink floyd division bell, para curtir essa nova etapa. Meu desejo em parar pra escrever era gigante e não poderia ter um momento melhor do que esse pra isso (até uma chuva de fundo eu to tendo aqui!).
Preferi não ler meu último post para simplesmente deixar fluir o que eu queira aqui. Percebo esse blog não como um lugar para retratar minha vida, mas um lugar para momentos de reflexão que foram tão necessários pra mim e tão fortes a ponto de não caber apenas em mim, é uma forma de transcender.

Muita coisa aconteceu, 2016 foi sinceramente o ano de maiores mudanças pra mim. O meu primeiro namorado, que eu tinha como amor da minha vida, algo tão lindo e sincero, simplesmente me traiu, mas isso foi ótimo! As vezes a gente precisa desses baques na vida pra poder enxergar o que está acontecendo, a traição não foi o maior problema, o maior problema é como ele se relacionava comigo. Por um lado eu bancando a heroina da relação, amandando tanto, doando tanto, tentando tanto, e por outro lado alguém com tantos segredos, um completo estranho.

Fui percebendo que não se tratava dele apenas, mas do por quê de eu estar mantendo isso. Para mim era muito difícil enxergar a realidade, que apesar de termos tido tantos momentos bons, dele ter sido tão importante pra mim, nós caminhamos em sentidos diferentes, mas eu não queria ver, não queria lidar com a realidade de que eu não era mais aquela pessoa especial pra ele, de que ele não podia retribuir nesse relacionamento como eu gostaria, como eu fazia. Queria acreditar que estava com a ilusão que repetidamente vamos apreendendo na vida o "grande amor da sua vida" sua "alma gêmea", que já te conhece.. tem momentos bons e etc...

Demorou mas percebi, que realmente nós tinhamos tido essa fantasia transformada em realidade, mas que aquilo acabou, como todas as coisas no mundo que se findam. Para estar com ele, eu tinha que abdicar de muita energia, de muita vida, de muita potencia, para acompanhar o movimento sempre dele.

Aí entra outra parte importante da minha análise pessoal, essa preocupação sempre com o outro, sobrevivendo "através" do outro, eu não vivia minha vida, não conseguia, tinha necessidade desse alguém sempre comigo, tudo parecia muito auspicioso, muito perigoso, tão triste, tão só... foi aí que tudo foi piorando... fui percebendo meus sentimentos de abandono que tive na infância e que carrego pela vida... tanta coisa foi se mostrando, não podia mais ignorar. Cheguei ao fundo do buraco, eu sabia que já não podia estar mais sozinha nessa luta, pois pra mim a única forma de aliviar tudo isso era a morte. A depressão me atingiu de tal forma que já não tinha mais gosto por nada, parecia que todo o sofrimento que vim carregando sem querer enxergar se colocaram de uma vez sobre meus olhos e o peso foi tão grande que não conseguia mais carregar e sucumbi. Desejei tanto não estar mais aqui.

Mesmo assim, mesmo com tanta potência para morte e destruição, que também me auxiliaram a continuar nesse relacionamento de ilusões que criei, eu também tinha muita potência de vida, e consegui buscar tratamento psiquiátrico e continuar o acompanhamento psicológico com um novo profissional. Aos poucos, depois de chegar a beira do suicídio, fui conseguindo me recuperar e tive felizmente a capacidade de me transformar.

Parei de me esconder tanto, de estar sempre preocupada em me maquiar, fui apreendendo a me curtir, a ter leveza na minha própria vida, a focar em mim e deixar de viver pelos outros e começar a viver a minha própria vida, como eu quero e queria. Derrepente, um click, um insight, eu pude mudar.

Posso dizer que nunca estive tão feliz em minha vida, não me lembro sinceramente de ter tido momentos tão bons, não sinto que preciso de mais nada, curtir os pequenos prazeres, abraçar a mim mesma, estar comigo é tão bom. Que bela surpresa!

 

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